Esbarrei nesse post antigo e combina com a vibe que tem no coração pra dentro, que é a de um cheio de vontade, mas soterrado pelas circunstâncias ao redor, que serão melhor explicadas num post lááá por final de março ou abril.

 

Então tão, eu estava ali, parado no ônibus, sentado ao lado de um sonho de menino, de uma felicidade de homem, de um prazer do olhar. Recebi um bom dia que mais pareceu presente divino. E logo após meu abafado bom dia, vamos de:

– dia lindo, né? [ela]

– mais bonito, só por do sol no Jardim Botânico. Ou um sorriso.

[ela sorriu de vez] – verdade… faz tempo que não vou lá, inclusive…

– é, também fui há tempos.

Neste instante a bolsa dela escorregou ao chão, qual peguei antes de acontecer, num reflexo que nem eu me lembrava que tinha.

– Obrigada [outro sorriso. Mais um desses e eu tinha um treco ali mesmo]! Você trabalha onde?

E por mais alguns [curtos, longos? Não sei] proveitosos minutos, fomos trocando locais de trabalho, nomes, suspeitas de idade, certezas de que eram solteiros, telefones ao celular e promessas de “pode ligar quando quiser”. Eu desci do bus. Ela ficou, acompanhou minha saída, e acenou da janela do bus, comigo do outro lado, numa esquina. Bem da verdade, acho que quem ficou fui eu mesmo. Como, senhoras e senhores?

Como a vida nos traz essas surpresas em forma de companhia? Daí pra primeira ligação malemá foi um dia. E quando parei para atender o telefone não era a felicidade, mas era um amigo me contando do seu relacionamento, que queria uma guinada, que não sabia o que fazer, já que entre um [dos comuns] passos à frente na sua história escrita em 4 mãos e obter uma bicicleta, sugeri que permanecesse vivendo, afinal aprender é bom e compartilhar melhor ainda, desde que feito duma maneira integralmente transparente. Antes que ele me perguntasse o que essa transparência integral significava, emendei que é ser consistente sem ser conveniente, sem quases nem inhas, já que certos radicalismos servem pra flexiblidade da vida, e das [outras] pessoas. Não vi mas ouvi que ele sorriu, “você me entende sem que eu precise muito me explicar, obrigado como sempre”. Não, prezado. É por livre e espontânea lição guardada do aprendizado passado. [e também porque, vira e mexe, tem alguma bike em promoção no mercado…] Fora a vontade de ser feliz.

Que foi desperta na ligação seguinte, com uma voz rouca e afinada que ao fone fica num charme irresistível.

– oi? Certinho? Peguei teu telefone hoje pela manha…

– olá [cof cof], er hum ééé bem e contigo? Sim, como esqueceria…

– como?

– psé, não sei como.

– como assim?

– assim oras, não há como esquecer… toda essa singularidade só poderia caber em ti.

– [algum grunhido de quem fica envergonhada, aquelas onomatopéias estranhas] e… tava vendo seu local de trabalho, até que você não trabalha tão longe de mim. Você tem algum compromisso para o almoço?

– [os 15 segundos mais longos de xilique na vida dele] hoje não… onde gostaria de almoçar?

Marcamos e papeamos. Encontramos semelhanças e agradabilidades suficientes para marcar de nos ver mais uma vez. Que multiplicar-se-iam por inúmeras outras. Até que a gente se viu um na casa do outro, contando e rindo das coisas mais simples aos assuntos mais complexos. Muita gente já disse que o amor é um monte de coisa. Cada vez mais, acredito que ele seja só uma pessoa… a gente é que as vezes abre os olhos e não vê, nem com o corpo, sedento de outro corpo [e inspirado a querer não mais que isso], nem com a alma, pré-fabricada para ser incompleta, do tamanho inteiro pra ser metade de algo que dá certo.

Mas daquela vez a gente viu e se viu; ahh, senhores e senhoras… nada é melhor do que ver e ser visto, de corpo e alma. Por que certas coisas a gente não escolhe, que dirá ver alguém por ai… é como certos textos que nos criam uma remota curiosidade; a gente cria uma expectativa e, no fim, as coisas são apenas como somos capazes de ver. O resto é conosco, com nossos olhos. O resto é o resto.

[] ““…toda ideia nova, todas as noites em que eu não dormi. Toda nova informação, tantas saudades do que ainda não vivi. Vencer os contratempos, passar mais tempo juntos… consciência e paciência, intensas modificações…” | Jota Quest em Todas as Janelas.

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