Mais o tempo passa, mais “desmaterializado” sigo ficando. Não que não seja ambicioso, mas tenho caminhado com os pés muito no chão. Ônus de usar muito tempo da vida, nos últimos anos, tornando a vida de outras pessoas financeiramente mais recompensadora. Também de um modelo de vida que vem sendo desenhado há muitos e muitos anos, e quando reviso as memorias separadas digitalmente, percebo que não “é de ontem” que eu gosto de descomplicar.

ainda tenho em mim o menino que sonhou muitas noites nesse quarto de 2,6 x 2,3m que teria coisas ainda melhores do que ali. E é ele quem não me deixa parar de buscar o melhor de fato, e não o melhor que o mundo desenha pra nós.

Escolhi um modelo de prosperidade que caminha “de lado” em relação à maioria das pessoas, que cabe bem numa frase de um dos rap´s mais legais do Emicida: “não preciso de um boné de 500 conto / eu preciso de um boné que eu gosto, pronto”. Ainda não consegui aceitar que coisas devam custar a nossa alma, e que devemos estar sempre um passo atrás [pq elas passam e nós passamos elas] de todo tipo de pessoa que menos suporto [e quando menos esperamos, estamos mais medíocres do que eles].

E ser prospero, no meu mundo, é continuar gostando do que faz, ganhar dinheiro por isso, mas não vender a sua alma e todo o seu tempo útil de vida para tal. É viver o máximo de bons dias para que, nos ruins, ele apenas passe e não leve consigo nada que não seja necessário. É evitar os rótulos e ser uma garrafinha de conteúdo original. É evitar os status [virtualizados ou realizados] e ser um “avatar de si” e ter a si como um “avatar”, não sentir muita diferença entre o que aparece online e o que se vive. Viver, em primeiro lugar. Como dieta, cortar tudo e todos que não nos fazem bem, mesmo que demore ou dê trabalho ou aparentemente seja inevitável, uma vez que absolutamente tudo passa.

A vida me parece rápida demais pra consumir a energia que precisamos para nos mantermos felizes, com coisas e pessoas que não acrescentam. Sobre coisas, eu não preciso das mais caras, mais recentes, mais “da hora”, mais ostentativas. Eu preciso das coisas que gosto e pronto. A coisa mais valiosa que temos não é dinheiro… é tempo. E tempo tem que sobrar para escrever coisas como essas, para não fazer nada ou simplesmente escolher o que e quando fazer, ao invés de ficar tentando encaixar uma vida em torno do trabalho. E assim o resto será apenas só o resto.

sem música!

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