Mesmo a mais solitária das pessoas já teve algum balancêzinho no coração, tal quais os maiores pegadores de todos os tempos colecionam fotos nas redes sociais e lágrimas incontidas em cada noite de cama vazia como raro, mas coração vazio como sempre. Isso e mais um monte de coisas motivam cada um de nós a ter o mais ridículo conselho sobre relacionamentos. Quem não tem um? Quem nunca disse “eu sei como é, já passei por isso…” que me atire o primeiro suspiro apaixonado e/ou nome do[a] pretendente escrito com caneta vermelha na contra capa do caderno da escola.

Se não chamasse um tzaum, certamente este blog teria um titulo mais próximo de relacionamentos e seus contextos. O assunto forma a base dos posts daqui nestes 8 anos online e mais alguns offline, nos cadernos ainda guardados [pois mais alguém precisará saber como a minha adolescência era divertida :)], e as inúmeras conversas com colegas, amigos, futuros e inesperados amores, formaram um repertório “de respeito” [a qualidade deles é relativa!] sobre relacionamentos, suas completudes e complicações. Moldaram um muleque que não batia asas para qualquer uma, mas se sentia a vontade para mover uma manada por cada uma que em algum momento conjuguei como algo mais. Formaram um homem que gosta de sentir-se completo em seus relacionamentos e tem dificuldade para aceitar menos que isso do ladelá [ = faz o que pode até o limite do que não pode para que o outro lado sinta-se assim também], que se entrega ao relacionamento de verdade, mesmo quando dá a impressão de que sempre está com um pé fora dele.

Tudo isso é fruto também dos relacionamentos espetaculares que tive. Cada uma das pessoas que escolhi / fui escolhido para dizer que eram “minhas” construíram algo de bom em mim. Com cada uma que ri, por cada uma que chorei, por cada palavra que escrevi, cada ato que confirmei, cada silencio recíproco, por cada surpresa planejada ou recebida, em cada encontro, em cada conversa, de cruzar na rua ou de 6 horas ininterruptas, fizeram de mim alguém completo, ou inteiro o suficiente para ser completo por alguém ali na frente. Mesmo quando negava o que sentia, mesmo em transe pela desilusão do desencontro no relacionamento, mesmo com palavras duras gravadas por aqui ou repetidas para a pessoa, o que fica são as histórias, as boas lembranças, a lição que formaram um sentimento maior para a próxima pessoa que viesse.

Entre as muitas escolhas que tive com eles, a menos doída nos primeiros instantes, e a mais sensata ao longo dos anos, foi permitir-se evoluir com cada coisa vivida; não deixar-se ser uma pequena chama de toda uma paixão, apego ou dedicação dispostas aquelas meninas, e forjar uma pessoa melhor daquilo. Deixar que as inconstâncias alheias medissem o tamanho dos seus pontos de equilíbrio e nunca mais permitir-se sair deles, por maior que fosse o amor sentido naquele instante. Ter, numa troca de olhares, a consciência tranquilizada ao ter tentado com uma amiga algo mais que não existia, era só uma ansiedade recíproca em ver o outro ainda melhor. Juntá-los e alinhá-los na cronologia do amadurecimento, reconhecer e repetir de boca cheia e coração leve que temos que estar inteiros para tentar ser metade de um bom relacionamento, e que por melhor que essa história consiga ser, ela é um laço bem amarrado, mas jamais impossível de ser desfeito.

E a partir disto, conseguir construir um relacionamento há mais de ano e meio, e ao longo dele rememorar histórias anteriores e reescrevê-las em 5 partes, em conjuntos de conselhos, em versões polidas de lembranças que não devem ser esquecidas, lições que mereciam ser atualizadas, e uma observação por escrito que todas elas foram absorvidas, são praticadas, e consolidam diferenças que resumem se você está se relacionando ou está se ocupando, se dialoga ou discute, se é presente ou se tem presença, se está ao lado de alguém que cuida de si a ponto de sentir-se à vontade para cuidar de alguém completamente alheio a sua vida, se fala muito ou se faz também. A partir de tudo isso, estar um relacionamento que é incomparável, como os demais, e que em suas peculiaridades e particularidades completa a minha vida de um jeito que só o momento atual poderia proporcionar. Viver um relacionamento que é tão sereno em seu dia-a-dia e provoca tantas interrogações [subjetivo dizer se positivas ou não] para o amanhã… que não tem muito passado, pois não estamos apenas passando por ele: vivemos!

E viver, prezado leitor, queridas leitoras, é o que mais importa [e não a toa tenho repetido isso em quase todos os últimos posts!]. Não tenha vergonha do que você viveu, de quem amou, de dizer que fulano parecia ser o maior amor da sua vida mas no fim das contas era só o primeiro, de confessar que chorou copiosamente quando percebeu que o problema era sim você: imaturo o suficiente para não entender que só é responsável pela sua vida e pelos seus sentimentos, e mesmo que seja responsável pelo que cativa, não será capaz de moldar isso de acordo com as suas vontades, com os desejos da sua paixão.  Tenha orgulho, mesmo que seja de ter chamado de amor um filho da puta muito grande, ou uma vadia de cabeça vazia.

[♫] ” I’m a good man with a good heart
Had a tough time, got a rough start
And I finally learned to let it go
Now I’m right here, and I’m right now
And I’m hoping, knowing somehow
That my shadow days are over
my shadow days are over now…” – shadow days, john mayer.

Olhe-se no espelho, leia mais uma vez as cartas que escrevia e/ou que recebeu [caso ainda as possua], e resgate nelas a sua essência, a pessoa que você realmente deseja “disponibilizar” a alguém que nos encontre nesta jornada e nos faça acreditar que podemos caminhar de mãos dadas, mesmo que aquela fique no meio do caminho mais além. Saber juntar pedaços de si e construir uma metade inteirinha, pronta para o que der [e quem der, rááá :D] e vier, é o que constitui a diferença, a sutil diferença [/perdoem-me o clichê particular, atual e ex-namoradas :)…] entre falar e fazer, num relacionamento. Todas as práticas teóricas podem ser transformadas em teorias práticas: olhe pra dentro de si, e se achar que falta algo, busque nestes textos. Viva seus relacionamentos sem medo de ser feliz, o máximo que vai acontecer é a construção de outra lição nova. Ou de uma nova história que só se escreve com 4 mãos… e que faz muito do resto ser só o resto ;D!

 texto integrante da 5ª e última fase da Blogagem Coletiva “amor aos pedaços”, cujo tema é Reintegração. Clique na imagem para saber mais =)

17 thoughts on “Práticas teóricas de relacionamento | 5 – dizer vs fazer – ou por enquanto é isso.

  1. Resumidamente, relacionamentos não se baseiam em formulas que seriam perfeitas aos nossos olhos, já que com cada um deles aprendemos algo e com certeza crescemos como pessoas, mas todo mundo quer ter a sua formula perfeita! E quer saber?! Se não fossem todos os tropeções e as vezes em anos depois pensamos “nossa, como fui bobo” não seriamos as pessoas que somos hoje – assim espero!

  2. Oi Tony,
    Olha foram tao poucas vezes que vi um homem se expressar assim com tamanha verdade que quero dizer:parabens!!
    O amor pra ser pleno deve ter um pouco de nosso aprendizado,e este so construimos vivendo.
    Desculpe-me a falta de acentos,estou pelo cel e os mesmos nao estao aparecendo,rs.
    uma otima semana pra voce,abraço,=)

    1. Obrigado!
      Exatamente, viemos e vivemos para uma série de coisas, e entre os inúmeros aprendizados que acumulamos, o do amor [por si, para os outros, e dividi-lo em diante] está entre eles. Fazemos força para não entender, da mesma forma que simplesmente não nos permitimos ser absorvidos por aquilo que nos machuca, nos permitindo evoluir então… é a vida. Obrigado pela visita =)

  3. Cara… Me identifiquei muito com seu texto, ainda mais citando John Mayer!
    Estupendo.
    Mas… Enfim, acabou.
    Acabou, mas como vivemos em círculos e espirais, encantamentos, desencantamentos, esperanças, questionamentos, se integram e reintegram em nosso cotidiano.
    Vivemos. E sobrevivemos a tudo.
    Obrigado pela participação. E sigamos em Conversas Cartomânticas.

    1. John Mayer é o melhor do melhor do mundo em entrar e sair de relacionamento tirando bons produtos [os 3 ultimos albuns, matadores…]

      Sim sim, vivemos ciclicamente algumas coisas, e podemos fazer essa espiral subir, para evoluirmos. Abraços!

  4. Quero destacar um trecho da sua postagem. Um conselho, por assim dizer: “Temos que estar inteiros para tentar ser metade de um bom relacionamento, e que por melhor que essa história consiga ser, ela é um laço bem amarrado, mas jamais impossível de ser desfeito”.
    A gente só compreende que todas as nossas desilusões que tivemos, foram apenas palco de aprendizagem para o verdadeiro amor que espetacularmente encenará, até que dure. O tempo não diz nda, diz a intensidade e a eternidade pode ser vivida em um instante de amor sincero e mútuo.
    Obrigada por participar, Tony!!
    Boa semana!! Beijus,

    1. bem por ai, Luma! Me lembro como se fosse ontem de quando essa frase se formou na minha cabeça, do porque ela foi formada, por quem ela foi formada… depois que me descobri inteiro fui metade melhor, até topar com outra metade que fizesse o termo “completo” fazer mais sentido =)

      beejobjo!

  5. Tony,

    Um post que muitos deveriam ler. Adorei suas colocações, porque são reais. Mostra aquilo que vivemos, sentimos, passamos, mas que escondemos (no quarto, na agenda, na noite escura).
    Muito bacana!
    Um abraço

    1. Lu, o amor ao mesmo tempo que é de intensidade individual, é um senso e sentimento coletivo. É um dos poucos assuntos que dá pra conversar sobre com qualquer pessoa, das mais variadas idades, tirando ensinamentos relevantissimos =)

      abraços e bem vinda!

  6. …Deu falha anteriormente, pode excluir, por favor!
    Sobre a blogagem, o importante é o que vivemos, o que temos para contar, o que aprendemos, sofremos, rimos, choramos e achamos que talvez era para sempre.E depois de um certo tempo pegar aquelas “cartinhas” e ler e analisar que não era para ser.Pelo menos temos algo para lembrar do que foi bom.O restante fica lá no passado.
    Faço parte da BC.
    Tudo que escreveste fez parte da minha vida…me fez voltar um tempo atrás.
    Paz e bem

    1. Lembrar do que foi bom conta muito, Bel! Manter isso em mente foi o que também me motivou a achar coisas boas nas coisas ruins, pois não era possível uma pessoa passar por nós, fazer tão bem, depois sair de nossas vidas, sem deixar mais coisas além de lembranças.

  7. Oi Tony, tive muita dificuldade em comentar no seu blog, tentei várias vezes em dias diferentes mas a ficha identificativa não deixava ir além do nome.
    Aí, hoje, ao ler o comentário da Luma sobre os navegadores diferentes, resolvi abrir página no iexplorer abdicando do firefox. E deu!! (estou aqui!)

    Sua participação está muito completa. Concordo com você: em cada situação nova devemos começar inteiros. Resgatar nossa essência da situação anterior, evitando fragmentar-se entre o passado e o presente. O problema reside na não consciência disso até dar errado. Iniciamos relacionamentos para nos preencher, em vez de nos relacionarmos para compartilhar. Inteireza é abundância. Fragmentação é carência. Me fez lembrar do video “Matemática de relacionamentos” (neste link).
    Abraço além-mar (Portugal).
    Rute

    1. frescuras do servidor onde o blog está hospedado… acontece, infelizmente!
      As pessoas costumam passar pra frente a responsabilidade de serem completas, acreditando que completude é ter alguém que resolva a sua vida, e não ser resolvido para ter o privilégio de compartilhar a sua vida com alguém. Não à toa tanta gente bate cabeça em relacionamento, demora pra aprender, mas aprende.

      obrigado pela visita e parabéns pelo sucesso da BC!

  8. Tony,

    Então, essas duas porções inteiras num relacionamento se acharem a ponte a ligá-las como duas metades conseguiram conviver e viver lado a lado.

    Belo texto!

    Abraço,

    1. ponte que construimos durante a vida, com o que aprendemos no que vivemos… as vezes não conseguimos, mas precisamos de uma “humildade maior” para fazer aquela existir. Obrigado pela visita! bjo!

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